A doce infância dos anos 80

Imagem: Goodreads

A infância pode ser doce. Depende de como você se lembra dela. E uma coisa encantadora sobre Nu, de botas, de Antônio Prata, é que ele é escrito pelo ponto de vista curioso e observador de uma criança que poderia muito bem ser eu, ou até você. O autor, que nasceu em 1977, compartilha com o leitor sua experiência como menino dos anos 80 por meio de crônicas leves e divertidas, que narram momentos marcantes de sua descoberta do mundo.

Desde sua relação conturbada com cuecas a uma conversa curiosa com o Bozo, Prata situa seu personagem em um cenário composto por ícones da década em que cresceu e mostra que tanto quanto as pessoas, os objetos e as influências culturais são personagens de nossas vidas desde pequenos. Esse é um dos pontos fortes do livro, especialmente quando, em vez de dar nome às coisas, ele as descreve como uma criança que vê algo pela primeira vez. E tudo isso com a surpresa e o encanto que só as crianças sentem com as coisas simples da vida.

“Eu gostava muito de observar minha mãe escovando os dentes pela manhã: sua mão ia e vinha, rápida e precisa, de cima para baixo, depois fazia movimentos circulares, sem espirrar uma gota de espuma. Tão diferente de mim, que só sabia escovar na horizontal e salpicava de branco a louça da pia, as torneiras, lambuzava o rosto inteiro. Minha mãe era tão hábil que conseguia até escovar os dentes e andar pela casa ao mesmo tempo – uma de suas façanhas que eu mais admirava. “

Não conhecia o trabalho do autor e achei Nu, de botas uma leitura agradável e rápida, que trouxe de volta memórias e sensações da infância que eu mal lembrava. Achei que em alguns momentos foi usado um vocabulário formal demais, sempre costurado com um uso perfeito e normativo da gramática e isso deixou um pouco mais difícil ouvir a voz da criança que narra suas aventuras do dia a dia. Mesmo assim, depois de algumas páginas fui absorvida tanto pelas histórias quanto pela forma com que elas foram contadas.

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Uma resposta para A doce infância dos anos 80

  1. Lígia Barros disse:

    Esse livro parece ser muito bom, gosto das crônicas do Antonio Prata e de textos sobre a infância :)

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