Frank e o tragicômico da arte

Imagem: Rotten Tomatoes

Termina o filme, sobem os créditos e eu fico estática, olhando para a tela e tentando lidar com o que estou sentindo. Às vezes isso acontece e é bem às vezes mesmo. Esse foi o caso de Frank. Vi a cabeça no poster, fiquei intrigada e quis assistir. Fui atraída para o filme pela cabeça e, do começo ao final, não consegui tirar os olhos dela.

Acho que nunca é demais falar sobre arte, mostrar como ela é feita e também as pessoas que a criam. E, para mim, Frank é um filme sobre tudo isso. A sensibilidade e a estranheza de seus personagens e situações é tão absurda quanto cativante. A dor de criar e principalmente de decidir se a criação deve ser compartilhada com o mundo é o que move os personagens, em uma jornada cômica e dolorosa, como as boas jornadas devem ser.

O filme conta a história da banda Soronprfbs, cuja vaga de tecladista em aberto é preenchida por Jon (Domhnall Gleeson), um jovem músico bastante frustrado com sua vida convencional. Sob a perspectiva de Jon acompanhamos a trajetória e o processo criativo da banda, liderada pelo excêntrico Frank (Michael Fassbender), um artista muito talentoso que usa uma cabeça de papel machê como máscara.

Imagem: Rotten Tomatoes

Frank, o filme, é livremente inspirado em Frank Sidebottom, um personagem criado por Chris Sievey. Assim como o Frank do filme, o Frank de Sievey usava uma cabeça enorme e apresentava-se desta forma ao público. As semelhanças, entretanto, terminam aí. A diferença talvez mais significativa é que o Frank do filme usa a cabeça o tempo todo.

Mas Frank é muito mais que um homem que usa uma cabeça de mentira 24 horas por dia. Ele é um músico muito criativo e inventivo, que influencia artisticamente a todos ao seu redor. Além disso, ele é uma pessoa cativante, que fascina até as pessoas mais improváveis de um jeito ao mesmo tempo absurdo e natural. Todos querem aprender com Frank e, por que não, absorvê-lo.

Imagem: Rotten Tomatoes

“I say tell everyone everything. Why cover anything up? Right?”

Frank é inusitado e engraçado, mas profundamente triste. Tanto o filme quanto o personagem, muito bem interpretado por Michael Fassbender. Em torno dele orbitam outros personagens que vivem seus próprios dramas artísticos e pessoais, que vivenciam cada um a seu modo a intensidade da personalidade e da criatividade de Frank. Jon, que é nossos olhos e ouvidos na história, tem uma vontade incontrolável de ser um grande músico e empenha-se nessa busca muitas vezes subestimando suas grandes limitações.

Todos querem ser Frank, inclusive eu.

Frank (2014)
Irlanda, Reino Unido
Direção: Lenny Abrahamson
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