Encontro marcado, talvez comigo mesma

Imagem: Goodreads

Às vezes fico pensando se eu sou atraída por livros narrados ou protagonizados por escritores ou se leio vários livros assim porque realmente existem muitas destas obras. Escritores gostam de falar de seus dramas pois, afinal, é muito mais fácil falar com propriedade sobre nossos próprios dilemas e sentimentos. Encontro marcado, de Fernando Sabino, é um desses livros de escritor, sobre escritor e, talvez, para escritores.

O enredo do livro em si não é surpreendente ou inusitado. Na verdade é até um pouco banal, narrando o dia a dia de Eduardo Marciano e das pessoas que passam por sua vida. O que realmente importa e se destaca são as reflexões do protagonista e dos outros personagens, muitas vezes inconsistentes e sem sentido, como costumam ser as minhas e de quem convive comigo, ou talvez as de todo mundo.

Confesso que foi um alívio terminar essa leitura. Eu sofri. Principalmente por me identificar muito com esse sentimento que creio que aflige todos os escritores, desde os grandiosos até os que ainda não “saíram do armário”, como eu. A dor crônica e inexplicável de não produzir, não criar, mesmo sem saber exatamente o que se quer criar ou produzir. Ou até mesmo a dúvida de saber se a vontade de escrever existe mesmo ou se é uma mentira que contamos a nós mesmos.

“De tudo, ficaram três coisas: a certeza de que ele estava sempre começando, a certeza de que era preciso continuar e a certeza de que seria interrompido antes de terminar. Fazer da interrupção um caminho novo. Fazer da queda um passo de dança, do medo uma escada, do sono uma ponte, da procura um encontro.”

Fernando Sabino escreveu um dos livros mais marcantes da minha adolescência, O grande mentecapto. Este livro, que nunca reli para não quebrar o encanto da memória que guardo dele, me fez rir e chorar na mesma intensidade, como poucos outros. Comecei a ler Encontro marcado procurando pelo Fernando Sabino que escreveu aquele livro que eu tanto amava. E ele estava lá, em sua essência, expondo a dor da transformação no que realmente queria ser, um escritor. Se é autobiografia, não sei. Mas poderia ser a minha autobiografia em alguns momentos.

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