A casa dos budas ditosos

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Depois de muito tempo lendo só livros em inglês, resolvi me empenhar para achar boas obras escritas originalmente em português e, até agora, tenho tido muita sorte. Especialmente com este último, A casa dos budas ditosos, de João Ubaldo Ribeiro. Desde as primeiras páginas não consegui desgrudar mais. E uma das minhas maiores alegrias na vida é sentir essa “química” instantânea com o jeito de escrever de um autor. É uma coisa que simplesmente acontece e, por mais que eu tente explicar, é mais sentimento que qualquer outra coisa.

A casa dos budas ditosos é um livro safado. Safado no melhor dos sentidos da palavra, daquele jeito que faz a gente sentir vergonha de ler no transporte público, mas lê mesmo assim e foda-se. A narradora protagonista é uma mulher tão maravilhosa e cheia de boas histórias pra contar, que seria bom se o livro tivesse 500 páginas. O ritmo acelerado, marcado pelas idas e vindas da memória de uma pessoa idosa mostram uma indiscutível  habilidade na escrita.

“Quanta mulher não comeu o homem que quis, apenas porque ele não podia recusar uma mulher? Uma mulher se tranca com um homem num quarto e diz que ele vai comer ela. Ele tem que comer, a não ser que ela seja o corcunda de Nôtre Dame.”

A obra faz parte de uma série  chamada Plenos Pecados, da Editora Objetiva, que convidou um autor para escrever uma história relacionada a cada um dos sete pecados capitais. A luxúria coube a João Ubaldo Ribeiro, que afirmou ter recebido um pacote com transcrições datilografadas do relato contado no livro. Se é verdade ou uma brincadeira do autor, difícil saber. Mas a história é incrível de qualquer forma, seja realidade ou invenção.

Em tempos de 50 tons de cinza, é bom lembrar que existem histórias eróticas que podem causar no leitor sensações que vão muito além da libido. E A casa dos budas ditosos é uma delas. Extremamente sensual, sexual, profana e deliciosamente sagaz, o livro encanta pela feminilidade intensa e visceral da narradora, que provoca, questiona, surpreende e encara este relato como sua missão no mundo. A sensação constante é de que ela pega na mão do leitor e a conduz para os lugares mais profundos da sexualidade, tanto a nossa quanto a dela.

 

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Frank e o tragicômico da arte

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Termina o filme, sobem os créditos e eu fico estática, olhando para a tela e tentando lidar com o que estou sentindo. Às vezes isso acontece e é bem às vezes mesmo. Esse foi o caso de Frank. Vi a cabeça no poster, fiquei intrigada e quis assistir. Fui atraída para o filme pela cabeça e, do começo ao final, não consegui tirar os olhos dela.

Acho que nunca é demais falar sobre arte, mostrar como ela é feita e também as pessoas que a criam. E, para mim, Frank é um filme sobre tudo isso. A sensibilidade e a estranheza de seus personagens e situações é tão absurda quanto cativante. A dor de criar e principalmente de decidir se a criação deve ser compartilhada com o mundo é o que move os personagens, em uma jornada cômica e dolorosa, como as boas jornadas devem ser.

O filme conta a história da banda Soronprfbs, cuja vaga de tecladista em aberto é preenchida por Jon (Domhnall Gleeson), um jovem músico bastante frustrado com sua vida convencional. Sob a perspectiva de Jon acompanhamos a trajetória e o processo criativo da banda, liderada pelo excêntrico Frank (Michael Fassbender), um artista muito talentoso que usa uma cabeça de papel machê como máscara.

Imagem: Rotten Tomatoes

Frank, o filme, é livremente inspirado em Frank Sidebottom, um personagem criado por Chris Sievey. Assim como o Frank do filme, o Frank de Sievey usava uma cabeça enorme e apresentava-se desta forma ao público. As semelhanças, entretanto, terminam aí. A diferença talvez mais significativa é que o Frank do filme usa a cabeça o tempo todo.

Mas Frank é muito mais que um homem que usa uma cabeça de mentira 24 horas por dia. Ele é um músico muito criativo e inventivo, que influencia artisticamente a todos ao seu redor. Além disso, ele é uma pessoa cativante, que fascina até as pessoas mais improváveis de um jeito ao mesmo tempo absurdo e natural. Todos querem aprender com Frank e, por que não, absorvê-lo.

Imagem: Rotten Tomatoes

“I say tell everyone everything. Why cover anything up? Right?”

Frank é inusitado e engraçado, mas profundamente triste. Tanto o filme quanto o personagem, muito bem interpretado por Michael Fassbender. Em torno dele orbitam outros personagens que vivem seus próprios dramas artísticos e pessoais, que vivenciam cada um a seu modo a intensidade da personalidade e da criatividade de Frank. Jon, que é nossos olhos e ouvidos na história, tem uma vontade incontrolável de ser um grande músico e empenha-se nessa busca muitas vezes subestimando suas grandes limitações.

Todos querem ser Frank, inclusive eu.

Frank (2014)
Irlanda, Reino Unido
Direção: Lenny Abrahamson
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A doce infância dos anos 80

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A infância pode ser doce. Depende de como você se lembra dela. E uma coisa encantadora sobre Nu, de botas, de Antônio Prata, é que ele é escrito pelo ponto de vista curioso e observador de uma criança que poderia muito bem ser eu, ou até você. O autor, que nasceu em 1977, compartilha com o leitor sua experiência como menino dos anos 80 por meio de crônicas leves e divertidas, que narram momentos marcantes de sua descoberta do mundo.

Desde sua relação conturbada com cuecas a uma conversa curiosa com o Bozo, Prata situa seu personagem em um cenário composto por ícones da década em que cresceu e mostra que tanto quanto as pessoas, os objetos e as influências culturais são personagens de nossas vidas desde pequenos. Esse é um dos pontos fortes do livro, especialmente quando, em vez de dar nome às coisas, ele as descreve como uma criança que vê algo pela primeira vez. E tudo isso com a surpresa e o encanto que só as crianças sentem com as coisas simples da vida.

“Eu gostava muito de observar minha mãe escovando os dentes pela manhã: sua mão ia e vinha, rápida e precisa, de cima para baixo, depois fazia movimentos circulares, sem espirrar uma gota de espuma. Tão diferente de mim, que só sabia escovar na horizontal e salpicava de branco a louça da pia, as torneiras, lambuzava o rosto inteiro. Minha mãe era tão hábil que conseguia até escovar os dentes e andar pela casa ao mesmo tempo – uma de suas façanhas que eu mais admirava. “

Não conhecia o trabalho do autor e achei Nu, de botas uma leitura agradável e rápida, que trouxe de volta memórias e sensações da infância que eu mal lembrava. Achei que em alguns momentos foi usado um vocabulário formal demais, sempre costurado com um uso perfeito e normativo da gramática e isso deixou um pouco mais difícil ouvir a voz da criança que narra suas aventuras do dia a dia. Mesmo assim, depois de algumas páginas fui absorvida tanto pelas histórias quanto pela forma com que elas foram contadas.

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Harry Houdini: a biografia de um super-herói

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Após ler a biografia de Harry Houdini (24/03/1874 – 31/10/1926), a vida de qualquer outra personalidade histórica biografada vai parecer meio simplória. Ao menos esta é a impressão que tive de The Secret Life of Houdini: The Making of America’s First Superhero, de William Kalush e Larry Sloman. É um livro extenso, com 592 páginas, com detalhes muito ricos e que foi baseado numa pesquisa minuciosa dos autores. O livro não foi publicado em português, mas está em negociações para ser transformado em filme, com Johnny Depp no papel de Houdini.

William Kalush é um especialista em mágica e uniu-se ao escritor Larry Sloman em uma pesquisa grandiosa para a produção da biografia. Eles vasculharam a vida de Houdini com uma abrangência nunca antes conseguida por nenhum de seus biógrafos, que foram muitos. Kalush e Sloman, em seu trabalho de investigação e resgate de informações, tiveram acesso a milhares de páginas de documentos e correspondências e algo próximo a 200 milhões de páginas digitalizadas de jornais da época. Segundo os autores, esta é a primeira biografia de Houdini da nova era digital.

O resultado disso é um livro completo e muito informativo, mas um pouco extenso e talvez tedioso para alguns. Um leitor que não tenha um interesse grande na vida de Houdini ou nos temas aos quais ele se dedicou ao longo de sua vida prolífica, pode cansar-se facilmente no decorrer da obra. O texto é bem escrito e fluido, mas vai e volta no tempo durante a narrativa e é, por muitas vezes, detalhado demais. Eu mesma, apesar de muito interessada, confesso que me cansei em alguns momentos e demorei bastante para concluir a leitura.

Apesar de já ter ouvido falar várias vezes em Harry Houdini, minha curiosidade por ele veio de verdade após acompanhar a carreira dos mágicos e ilusionistas Penn & Teller. A dupla foi muito influenciada por Houdini, que transformou o mundo da mágica em espetáculo para as massas em uma época em que o showbiz mal havia começado a existir.

O livro abrange desde a migração dos pais de Harry Houdini, nascido Erik Weisz, da Hungria para Estados Unidos, até a transformação dele em um mito. Um menino de vida simples, que transformou-se em um jovem sonhador, mas determinado, que trilhou um caminho de descobertas e conseguiu fama mundial nunca antes alcançada por um artista popular. Houdini viveu rodeado por personalidades como H.P. Lovecraft, Sarah Bernhardt, Nicolas II – o último czar russo e, claro, seu amigo-inimigo de longa data Arthur Conan Doyle.

“To be an escape artist, you need to condition yourself to reject all fear. Our imagination magnifies, if not causes, our pain. If you condition yourself to reject the fear and the pain, you could achieve what seemed to be miraculous feats.”

Harry Houdini, em sua última palestra

Na biografia o leitor acompanha detalhes antes desconhecidos da relação de Houdini com o serviço secreto internacional, sua experiência inovadora como aviador e também seu envolvimento para auxiliar os Aliados na primeira Guerra Mundial. Além disso, os biógrafos expõem o resultado da investigação aprofundada que fizeram sobre o trabalho árduo e incansável de Houdini para desmascarar os médiuns e espiritualistas criminosos do início do século XX. Trabalho esse que, segundo os autores, pode ter ocasionado uma conspiração para sua morte, aos 52 anos.

O trabalho dos biógrafos é admirável, meticuloso e faz jus à vida e ao trabalho de Houdini, que era conhecido por não poupar esforços quando se dedicava a qualquer atividade ou tema. O mestre mágico merecia uma biografia que, além de ser tão completa, ao menos levantou questões sobre sua morte suspeita e prematura. Houdini foi uma pessoa incrível, talvez uma das mais incríveis que já existiram.

 

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O abismo no fim do campo de centeio

Se eu pudesse dizer uma frase ao protagonista Holden Caulfield, de O Apanhador no Campo de Centeio, essa frase seria: “Um dia, tudo vai melhorar”. Caulfield tem aquele tipo de inquietação que, claro, aflige a todos nessa época tão incerta da vida, mas incomoda muito mais quem tem uma tendência maior a questionar e a não caber nos padrões impostos pela sociedade.

Para mim, Caulfield é um ser humano adorável, e eu sei o quanto isso pode soar estranho, especialmente para quem não costuma questionar o status quo. Ele é mentiroso, apático, tem tendência à depressão e está sempre tentando fugir. Mas como não ser assim diante de uma realidade tão errada e incômoda? As pessoas que ele chama de “phonies”, ou seja, os hipócritas, superficiais e pretensiosos, estão por toda parte e são admirados e tidos como exemplo a ser seguido por uma sociedade doente. E, para quem consegue sentir isso, aos 16 anos a dor é muito maior.

Eu entendo Caulfield, e muito. Senti essa dor por muito tempo e, de certa forma, ainda sinto. Nunca quero deixar de senti-la, inclusive. É ela que me lembra todo dia de que eu não posso seguir pelo caminho mais fácil e deixar de questionar. Mas a questão é que fico feliz por ter lido este livro só agora, depois que todo o desconforto da adolescência passou. As reflexões e dilemas do protagonista me tocaram muito, mas de uma forma diferente da que eu sentiria há algum tempo.

Quando eu era adolescente, e até um pouco mais tarde, sempre tive a sensação de que a minha vida era tão incômoda quanto uma roupa de mau caimento. Apertada aqui, solta ali, dificultando meus movimentos. Os adultos, em sua maioria, eram seres absurdos nos quais eu não queria me transformar. Como não querer fugir disso para tentar diminuir a dor? Por isso, chamar Caulfield de apático ou egoísta, para mim, não faz o menor sentido. Ele só não queria se transformar naquilo que ele mais abominava.

rye

O nome do livro, The Catcher in the Rye é uma menção a isso. Em uma de suas reflexões, Caulfield menciona um poema escocês chamado Coming Through a Rye e fala que a única “profissão” que lhe atrairia seria a de proteger crianças que brincavam em um campo de centeio e ficar à beira de um abismo para evitar que alguma delas caísse nele por acidente.  E esse abismo representa a vida adulta como todos imaginam que seja. Um abismo escuro e cheio de monstros horríveis. O protagonista admira as crianças e abomina os adultos e ele tem toda razão. O destino quase certo das crianças é cair no abismo e se transformar em adultos lamentáveis.

O Apanhador no Campo de Centeio não é um livro sobre um adolescentes para adolescentes. É um livro sobre a inquietação que nunca se deve deixar de ter. É sobre a hipocrisia, sobre mentir para quem não tem vergonha de mentir para você. Eu queria dizer a Caulfield que é possível se afastar dos “phonies”, seja fisicamente, seja apenas ignorando o que eles falam. Porque o que faz a vida valer a pena é conviver com as poucas pessoas que não são rasas ou fúteis e, principalmente, tentar ser o oposto disso.

 

“Gin a body meet a body
     Comin thro’ the rye,
Gin a body kiss a body —
     Need a body cry.”

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Medo de esbarrar nas pessoas

O mundo é um lugar cheio, mas cheio mesmo de gente. Um belo dia, você bem pequenininho, foi expulso de dentro de uma pessoa, saiu por aí interagindo com outras pessoas e não parou mais. Ou talvez não tenha interagido muito. Talvez você seja do tipo calado, que sente um medo inexplicável de iniciar uma conversa. Talvez isso já tenha atrapalhado sua vida não apenas de uma forma banal, mas lhe afastou de algo importante como de um emprego, da escola ou de um relacionamento. Falar com pessoas, especialmente as desconhecidas, gera certo nível de ansiedade e desconforto naturalmente e isso depende da personalidade de cada um. A questão é que, se essa ansiedade é excessiva, isso pode ser um transtorno psicológico e essa pessoa precisa de ajuda profissional.

Um designer do Reino Unido criou um pack informativo sobre o transtorno de ansiedade social, que vem com um panfleto e até um DVD que dá informações sobre os principais sintomas e o tratamento.

Segundo essa campanha, 13.3% dos irlandeses sofrem desse transtorno. Curiosamente, a porcentagem da estimativa por aqui é muito próxima disso. De acordo com uma pesquisadora da USP de Ribeirão Preto, 13% dos brasileiros sofrem de fobia social e a maioria deles não tem conhecimento disso.

É difícil perceber um problema em si mesmo, especialmente se o problema é algo tão pessoal e contido como o transtorno de ansiedade social. Mais difícil ainda é lutar contra algo assim e sair vitorioso. Os principais sintomas se resumem basicamente a ansiedade crônica e até antecipatória com contato social, que pode envolver transpiração excessiva, tremores, angústia, dificuldade para raciocinar e se comunicar. Isso tudo gera uma grande tendência ao isolamento e redução anormal da exposição ao contato social.

Existe tratamento para esse transtorno e é possível ajudar quem sofre dele. E pode ser que o primeiro passo para essa ajuda seja reparar naquele sujeito calado que se esconde de todo mundo e que parece não querer falar com você. Talvez ele só tenha um medo tão grande de tudo que está consumindo sua vida sem que  ele perceba.

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Grandes, grandes esperanças

Alguns dizem que boas histórias atingem o que há de mais humano em nós e devem ser universais e atemporais. Outros dizem que elas devem sempre surpreender os espectadores e seduzi-los até o fim. Já ouvi também que não se deve tentar agradar a todos ao contar uma história.  Há várias opiniões e teorias sobre o que é e como deve ser uma narrativa e como ela deve ser contada.  As opiniões e teorias tornam-se ainda mais diversas quando se trata da adaptação de um romance para o cinema.

Grandes Esperanças (Great Expectations) de Charles Dickens é um clássico e, portanto, considerado por muitos uma grande história. Publicado pela primeira vez em 1861, o romance gira em torno do órfão Pip e de como ele recebeu uma fortuna de um benfeitor misterioso que quer ajudá-lo a tornar-se um cavalheiro. Paralelamente mostra também a excêntrica Miss Havisham, que foi abandonada no altar quando jovem e desde então decidiu se vingar de todos os homens através de sua filha adotiva Estella.

É uma história humana em sua essência, especialmente porque nos leva a acompanhar a vida do protagonista Pip desde criança até a idade adulta, enquanto convivemos junto com ele com personagens densos e misteriosos. As tais grandes esperanças do título do romance não são apenas de Pip, mas também refletem algo que de alguma forma todos queremos, seja a revelação de um segredo, seja ter uma vida melhor, seja perdoar ou ser perdoado. Rancor, ambição, indiferença, gratidão, culpa, mágoa, imprudência e bondade estão em todos os seres humanos em alguma proporção.

Ilustração de H. M. Brock para a edição de 1901

Várias adaptações para o cinema e para a TV foram feitas, desde a época do cinema mudo. Há a versão mais celebrada e até considerada por muitos uma das melhores adaptações para o cinema, feita em 1947 e dirigida por David Lean. Chegaram até a tentar trazer Grandes Esperanças para os dias atuais no fraquíssimo filme de 1998. Mas, como vivemos na era do remake e nada se cria e tudo se refaz com mais tecnologia, mais uma adaptação do clássico de Dickens está em fase de pós-produção e será lançada no final do ano na Europa e no ano que vem nos Estados Unidos:

Apesar de ter gostado muito da série da BBC feita no ano passado, que teve Gillian Anderson no papel da eterna noiva Miss Havisham, achei MUITO boa a escolha da esquisita Helena Bonham Carter para esse papel no filme. Estou muito curiosa para vê-la vivendo essa, que é uma das personagens que mais me inquietaram na vida.

 

Fonte: Filmofilia

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