A pluralidade do amor (e das pessoas)

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Para mim há duas verdades sobre o amor: a primeira é que ele existe; a segunda é que ele se manifesta de formas diferentes. O amor não é uma equação cujo resultado é previsível e esperado. Acho que cada pessoa e cada relação têm um amor diferente, que vai mudando ao longo do tempo e reflete diversos fatores como a história de vida e a personalidade de cada um. A beleza do amor está no fato de que ele não é um, mas vários. E geralmente o que me atrai numa boa história de amor, real ou na ficção, é o fato de ela mostrar a singularidade desse sentimento.

Os nomes do amor, no original francês Le Nom des gens (o nome das pessoas), é um filme sobre amor e sobre pessoas. Tem muitas cenas divertidas e engraçadas, mas está longe de ser uma comédia romântica como as que Hollywood produz em larga escala. Arthur Martin é um cientista de meia idade criado por uma família conservadora e cheia de tabus. Bahia Benmahmoud é uma garota liberal de vinte e poucos anos, filha de um imigrante argelino e de uma francesa militante de várias causas. Em tempos de epidemia de gripe aviária, Arthur estuda o vírus responsável pela morte de patos e galinhas. Enquanto isso, Bahia, que se considera uma espécie de prostituta política, dedica sua vida ao hábito de ir para a cama com homens direitistas e “fascistas” (como ela os define) com o objetivo de convertê-los a uma ideologia esquerdista.

Entretanto, em um dos maravilhosos acasos da vida (e da ficção), Arthur e Bahia se encontram e se apaixonam. E um dos encantos do filme é aproveitar todas as diferenças entre os protagonistas e contar a história sob perspectivas diferentes e inesperadas.  Outro grande mérito é a forma com que são abordados temas muito delicados como o holocausto, o preconceito contra imigrantes e diferenças políticas e ideológicas. Em nenhum momento a seriedade destes temas é ignorada, mas sim contribui para enriquecer a vida dos personagens e mostrar que tudo isso é importante para que eles sejam quem são.

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Bahia, à primeira vista, pode assustar justamente porque é muito fora dos padrões. Sua ideologia, sua falta de pudores com seu corpo, sua banalização do uso do termo “fascista” e seu hábito de usar o sexo como uma arma política fazem com que ela seja surpreendente, mas adorável. Ela é uma mulher incrível e é isso que atrai Arthur, que mesmo afirmando que tem uma ideologia política parecida com a dela, vive uma vida mediana, conservadora e delimitada pelo que seus pais esperam dele. Quando suas vidas se cruzam, eles começam a fazer parte de universos diferentes do que estão acostumados e têm que lidar com as consequências disso.

O amor que vai surgindo entre Bahia e Arthur encanta porque reflete não só o sentimento de paixão e atração entre eles, mas também mostra que eles são parte de um todo que sempre pertencerá a eles. Seus pais e sua história triste, heranças culturais, traumas de infância, tabus, relacionamentos antigos. Tudo sempre estará lá, dentro de cada um. Mas, mesmo com dificuldade, é possível construir algo novo e transformar a vida de quem se ama com companheirismo, respeito, paciência e tolerância. Os nomes do amor mostra que amar e se relacionar não é fácil, mas é possível.

“Eu quero fazer por você o que você faz por mim.”

Segundo a página francesa do filme na Wikipedia, o filme é semibiográfico. Foi dirigido por Michel Leclerc e roteirizado por ele e por Baya Kasmi, com base em um curta-metragem de história semelhante dirigido por ela alguns anos antes. A vida de Baya foi uma das referências para criar a protagonista Bahia. O pai de Baya, a roteirista, inclusive contribuiu para o filme com as telas pintadas pelo pai de Bahia, a personagem.

Garoto conhece garota; eles se apaixonam; acontecem alguns contratempos que podem impedi-los de ficar juntos. Isso pode até ser uma fórmula que se repete na vida e na ficção. Mas histórias como a de Os nomes do amor nos relembram que isso nunca deixará de ser fascinante.

Os nomes do amor (Le Nom des gems) 

França, 2011

Direção: Michel Leclerc

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