Sobre Leonard Cohen e sobre a luz

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Essa semana eu estava muito triste. Meio triste por mim, sem motivo, a melancolia  que sempre volta. Depois fiquei mais triste, pelo mundo, pelos Estados Unidos, pelo Brasil, por nós todos. Nos últimos meses tenho sentido que eu, muita gente que conheço e muitos amigos que eu amo, todos temos andado meio assustados, meio perdidos, um pouco sem esperança.

Aí ontem meu ídolo maior morreu. Leonard Cohen, desde que o descobri, foi minha grande inspiração, minha fonte de sabedoria, minha espiritualidade. Eu não acredito em religião ou nada parecido, mas minhas “orações” sempre foram ouvir The Future do começo ao fim e pensar em arte, em amor e na beleza e complexidade da vida. Isso é o mais próximo de oração que já consegui fazer.

Leonard morreu e já sabia que ia morrer em breve. Metafísico ou não, ele estava sublime, ciente, pronto. Ao menos foi o que pareceu pelos vídeos em que ele falou sobre o seu último álbum e em suas últimas entrevistas. Ele falava da morte como se ela o esperasse, depois de uma vida em que ele já tinha terminado sua jornada.

Passei a semana triste, mas não conseguia chorar. Eu pensava o tempo todo que queria me livrar daquela angústia, me sentir aliviada ou encontrar algo que me desse esperança. Minha melancolia sempre chega já querendo deixar de ser. E ontem eu finalmente chorei quando soube que ele morreu. Foi um choro diferente porque eu não estava mais triste. As minhas “orações” tinham sido atendidas. Quando tudo parece ruim e feio, às vezes a gente se esquece ou se afasta das coisas boas que nos motivam a viver, que nos propulsionam pra frente. Mas ontem, quando Leonard morreu, eu me lembrei e tudo ficou claro de novo:

“There is a crack in everything, that’s how the light gets in.”

Eu tenho essa frase da música Anthem tatuada no braço e na alma, mas às vezes me esqueço de vivê-la. Não acredito em deus(es), em vida após a morte, em pecado, em inferno. Mas acredito em amor, em arte e que nosso tempo nesse mundo é curto demais pra gente perder tempo com bobagem. O que fazemos de bom e criamos com sentimento e boa vontade, se tivermos sorte, fica maior que nós mesmos e sai por aí pra fazer parte de outras vidas, de outros sentimentos.

Às vezes o mundo fica feio e escuro demais e parece muito difícil ter esperança. Mas, sim, por mais que haja trevas, por algum lugar mínimo que seja, há de entrar a luz. E eu quero tentar encontrar essa luz. Eu preciso desta luz. Quero que ela ilumine a mim e a todos os que precisam dela. Quero tentar refletir essa luz. Ela é tudo o que temos e é mais importante ainda em tempos de escuridão.

Hoje tenho mais vontade de escrever (reescrever) meu romance e começar vários outros, de inventar novas histórias, de encontrar a poesia da vida, de aprender tantas coisas que eu nem faço ideia que existam.

Hoje estou mais disposta a criar, a fazer o bem e a espalhar amor e arte pelo mundo. Hoje minhas lágrimas são de esperança.

Obrigada por ter iluminado o mundo, Leonard.

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Sobre balbiemadeleine

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2 respostas para Sobre Leonard Cohen e sobre a luz

  1. Balbi, querida!! Que força tem o amor! Quanto amor há na arte! Te abraço.

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