Thelma & Louise, uma epifania

Imagem: Rotten Tomatoes

Na primeira vez que assisti a Thelma & Louise eu devia ter uns 12 ou 13 anos. Um dos sintomas da minha puberdade era ter um quarto e uma agenda decorados com fotos do jovem Brad Pitt. Como leitora assídua de revistas adolescentes, eu sabia que nesse filme tinha uma cena de nudez parcial dele. Pois dei meu jeito e aluguei a fita do filme pra assistir, meio escondida em casa. E gostei bastante da cena de nudez parcial (risos), mas também do filme em si.

Eu costumo ter uma ótima memória para filmes. Principalmente se eles me marcam de alguma forma. Eu me lembrava bem do enredo, da ordem dos fatos e, claro, do final icônico de Thelma &  Louise. Aí ontem resolvi finalmente revê-lo. E, sim, o enredo e a ordem dos fatos estavam lá, quase tudo como eu me lembrava. Mas o efeito que a história causou em mim foi completamente diferente. Porque quem mudou fui eu.

Desde os primeiros minutos as personagens me interessaram. Thelma e Louise são mulheres como tantas que passam por nós todos os dias pelas ruas. Um marido ou namorado escroto, um passado traumático, um emprego de merda, alguns desejos reprimidos, uma vontade louca de se divertir. De alguma forma, em maior ou menor escala, todas somos um pouco Thelma ou Louise. E acho que foi isso que fez com que eu sentisse um aperto no peito ao ver a história se desenvolvendo. Quem nunca quis explodir um caminhão de um cara que fez gestos obscenos pra você? Ou fugir de tudo, sem olhar para trás? Ou talvez apenas escolher um caminho que nos aproxime de ser quem realmente queremos ser?

Imagem: Rotten Tomatoes

Foi impressionante ver este filme hoje, que sou uma mulher adulta, que tem lutado cada vez mais para se entender como pessoa e também como mulher. Uma mulher que tem tentado para olhar para o mundo e para as pessoas de outra forma. Que tem conhecido outras mulheres incríveis e tem se sentido muito apoiada por elas. Uma mulher que quer aprender a criar personagens e histórias que sejam não apenas interessantes, mas relevantes e humanas de verdade. O final do filme, desta vez, não foi surpreendente, mas sim um pouco doloroso.

Hoje eu sou muito mais Thelma e Louise que era aos 13 anos. Por isso, agora eu entendi. E foi satisfatório ver duas mulheres no controle de suas vidas, mesmo que por pouco tempo e tomando atitudes consideradas imorais ou erradas. Para mim, tudo ali representa um grito de quem não aguenta mais. De quem quer liberdade, mas não sabe o que é liberdade. Thelma & Louise é muitas coisas: um road movie, um filme de vingança, uma história de fracasso e vitória, talvez um manifesto de revolta feminina. Mas pra mim, representa uma epifania que toda mulher deveria ter. De preferência sem cometer muitos crimes.

“Let’s not get caught. Let’s keep going.”

Thelma & Louise (1991)

Estados Unidos

Direção: Ridley Scott

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